domingo, 4 de março de 2018

Na pátria da corrupção

No Rio, ex-militares ensinam táticas do Exército a criminosos
Comportamento dos traficantes chamou atenção dos militares: eles estavam usando as mesmas táticas e técnicas das Forças Armadas







Rio de Janeiro – Os serviços de inteligência das Forças Armadas e da polícia do Rio investigam ex-militares que estão treinando integrantes de facções criminosas com táticas usadas pelo Exército e pela Marinha. O Estado apurou que esses instrutores, principalmente ex-paraquedistas e ex-fuzileiros navais, recebem de R$ 3 mil a R$ 5 mil por hora de aula – valor que pode chegar a R$ 50 mil em uma boa semana. Eles preparam bandidos no uso de fuzis, pistolas e granadas, para atuar em áreas urbanas irregulares, como favelas, e a definir rotas de fuga.

Há cinco meses, durante operação de cerco no Morro da Rocinha, o comportamento dos traficantes fortemente armados chamou a atenção do setor de inteligência. “Seguia claros padrões profissionais, até no gestual de comando”, relatou um oficial do Exército. Em grupos de 8 a 12 homens, os criminosos se deslocavam de forma coordenada, fazendo disparos seletivos e evitando o contato direto, “exatamente como faria a tropa em um ambiente adverso”. Entre as lições ensinadas pelos ex-militares também estão o emprego da camuflagem e técnicas de enfrentamento.
Já foram rastreados entre 10 e 12 ex-combatentes, na faixa dos 28 anos. O número pode ser maior. O temor de que ex-militares sejam cooptados por facções foi explicitado pelo novo ministro da Defesa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, no Rio. Segundo ele, as Forças Armadas dispensam entre 75 mil e 85 mil reservistas todos os anos. “Esse pessoal passa pelas Forças, é treinado, adestrado, preparado e, quando sai, às vezes volta ao desemprego. E eles podem se tornar vulneráveis nesse momento, podem ser cooptados.”
Os militares que passam pelo Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais fazem cursos e estágios de guerra na selva, na Caatinga, no Pantanal. Aprendem a saltar de paraquedas e a executar tiros de precisão, combate pessoal e ações anfíbias. São oficiais, subtenentes e sargentos. No Comando de Operações Especiais do Exército, o ciclo mais abrangente prepara por 25 semanas para missões de reconhecimento, contraterrorismo, resgate, evasão, sabotagem, guerrilha e contraguerrilha. Por isso são tão valorizados pelas facções no treinamento de seus “soldados”.
Economia
Para um analista, ex-oficial da PM fluminense, “dar adestramento para manusear os armamentos é um recurso das facções para evitar os disparos a esmo, aumentar o poder de fogo e reduzir a perda de material, afinal, um fuzil AK-47 novo, posto no morro, custa R$ 30 mil”. A assessoria especializada dos ex-militares também orienta aquisições dos contrabandistas e evita desperdícios. “Até recentemente, os ‘xerifes’ do tráfico compravam tudo o que aparecesse. Em um depósito em Manguinhos foi achado um projétil de artilharia de 155 mm. Enorme, impressionante e totalmente inútil para quem não tem um canhão”, contou o ex-PM. Hoje, a composição do arsenal das facções é mais rigorosa. Abrange fuzis de calibre 7.62mm e 5.56mm, pistolas 9mm, granadas de alto poder letal em pequeno raio (de 5 a 15 metros) e explosivos plásticos.
Os comandos do Exército e da Marinha tratam esses casos como assunto policial. “São criminosos comuns, perderam o vínculo com as Forças. Depois de presos, são submetidos à Justiça comum. É isso o que acontece”, explicou um general. Na avaliação do oficial, com larga experiência na missão de estabilização do Haiti, “não há gente de ponta entre esses marginais: os melhores quadros ficam na tropa, mesmo depois de cumprido seu termo de trabalho”.
Origem. Esse treinamento por ex-militares foi detectado no Rio pela primeira vez em 2000. Desde então, houve cinco casos em que os protagonistas foram identificados. Ao menos um morreu em confronto com a PM. Um deles – o ex-paraquedista Marcelo Soares Medeiros, o Marcelo PQD – acabou evoluindo na estrutura do crime. Passou de instrutor e intermediador na compra de armas a gerente e, depois, controlador de um ponto de distribuição de drogas no Morro do Dendê, na Ilha do Governador. Preso desde 2007, cumpre pena em Bangu.
Há um ano, foi apontado como o responsável pela construção de um túnel, com iluminação, ventilação e sistema de drenagem, que seria usado em uma fuga. Marcelo PQD (a sigla identifica os paraquedistas) esteve alinhado ao Comando Vermelho (CV), mas, na prisão, mudou de facção e agora integraria o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo paulista.
Uma das estratégias do PCC é qualificar seus membros. Além de ampliar o domínio no País, com núcleos em presídios, montou uma rede internacional que abrange Colômbia, Venezuela, Bolívia e Paraguai – de onde saem as linhas de fornecimento e entrepostagem de drogas e armas. O PCC está armado sobre um sofisticado organograma, equivalente ao adotado por empresas de grande porte.
Segundo o setor de inteligência do Ministério da Defesa, na arquitetura administrativa do PCC há três níveis sob liderança de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, encarcerado em regime de segurança máxima em Presidente Venceslau, em São Paulo. Uma das divisões da organização se dedica a obter equipamentos, criar depósitos seguros para guardá-los e expandir a infraestrutura. A meta mais ambiciosa seria estabelecer centros de comando e comunicações fora das zonas de conflito.
Ponto móvel. Os treinamentos desenvolvidos pelos ex-militares são realizados em campos móveis para dificultar a localização. De acordo com a inteligência da PM haveria centros em seis comunidades da cidade do Rio. São áreas de mata e vielas de passagem, isoladas pelos traficantes durante um curto período.
Encontrar os pontos de treinamento é prioritário para as Forças Armadas. Uma possibilidade é utilizar os Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) – os drones da Força Aérea no trabalho. As aeronaves sem piloto Hermes 450, israelenses, do Esquadrão Hórus, são capazes de voar por 20 horas acima dos 5 mil metros de altura, e seus sensores óticos podem obter informações e imagens de dia e à noite.
Os ex-militares são cuidadosos para não deixar rastros. Os instrutores ensinam seus aprendizes a não produzir lixo que possa servir de pista de localização ou sinal de passagem.

Mais que isso, os criminosos são orientados a não ter em mãos nada que não possa ser abandonado, mesmo os objetos pessoais.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017, diz SPC Brasil


Empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017, diz SPC Brasil


As empresas inadimplentes cresceram 5,35% em 2017,  com alta de 0,34% em relação a 2016, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). As dívidas em atraso tiveram alta de 3,64% na comparação anual.


Por regiões, no Sudeste, o número de empresas negativadas na comparação anual avançou mais do que em outras regiões: a alta foi de 7,37%. Em seguida, aparecem o Sul (3,18%), o Centro Oeste (2,99%), o Nordeste (2,61%) e a região Norte (2,23%).


Em termos de participação, o Sudeste concentra a maior parte do número de empresas negativadas, com 46,14% do total. O Nordeste, por sua vez, concentra 20,77%, enquanto o Sul aparece com uma fatia de 17,07%.


Por setores, serviço lidera com maior número de empresas negativadas, com variação de 8,22%. Em seguida, aparecem comércio (3,42%), indústria (2,93%) e agricultura (-0,99%). Quando se analisa os setores credores (para os quais as empresas devem), o maior avanço da inadimplência foi observado pela indústria (4,67%), seguida de serviço (4,12%) e comércio (3,24%).


“Ainda há efeitos da crise, mas também há sinais de retomada da economia. Para este ano, espera-se que, à medida que os negócios se recuperem, o fenômeno da inadimplência desacelere”, avalia o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

Edição: Valéria Aguiar

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Parece que não tem jeito...



PREFEITOS BURLAM O LEGISLAÇÃO E LEVAM PRA CASA




Nem acreditamos ou se percebe que valha a pena noticiar investigações contra esse ou aquele Prefeito. Isso não adianta. Não resolve e nunca da em nada. Basta vermos o período do governo Valmir da Integral. Fez o que quis e os eleitores deram-lhe mais de quarenta mil votos, não ganhando a eleição porque teve um concorrente de peso na figura de Marcelo Catalão. Se houvesse sabedoria na turma arrogante e incompetente de Valmir, e se tivesse firmado uma aliança com Marcelo ou mesmo Chico das Cortinas, teríamos seu novo governo ai. Darci não estaria no comando de Parauapebas.
Mesmo Valmir tendo feito o que fez: chutado pessoas, ignorado totalmente qualquer regra de decência ou gerenciamento de recursos públicos.

Essa notícia de Jeová vira mera especulação. Ele também está fazendo o que quer, sua esposa está tranquila na Secretaria de Finanças. 

A mineradora VALE, sempre de olhos fechados para a ilegalidade de seus parceiros – e tem feito parcerias locais com entidades e grupos totalmente ilegais e com complicados históricos de mal feitos e falcatruas, apoiando integralmente toda a merda ali.

Lamentamos

Não se tem futuro sem transparência, sem debate e abertura. Mas nossa sociedade é assim, todos corruptos. Nós e eles. Lamentavelmente, viva a corrupção!


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Mais cobre, mais metais



Centaurus descobre novas áreas no projeto Salobo, no Pará
Por
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21 de novembro de 2017 




 Empresa tem realizado prospecções na região. Foto: Divulgação/ Centaurus.
Cobre e ouro são os principais minerais disponíveis para extração. Este é o segundo anúncio da empresa em menos de duas semanas, de descobertas de áreas prospectadas para mineração.


O projeto Salobo West, em Marabá (PA), tem se mostrado cada vez mais promissor. Nesta segunda-feira (20), a Centaurus Metals, divulgou ter descoberto uma nova e longa anomalia de cobre e ouro dentro da área correspondente ao empreendimento. Conforme divulgado pela Revista Mineração, no dia 13 deste mês, a mineradora já havia informado ter encontrado alguns alvos de cobre e de ouro na região.

A pesquisa atual mostra que no prospecto SW1-A há uma anomalia que se estende por mais de 3,2 quilômetros, por uma largura de 800 metros. “A extensa anomalia de Cu-Au [Cobre-Ouro] em solo representa um alvo de IOCG [Minério de Ferro, Cobre, Ouro] excepcional, e está hospedada na mesma sequência estratigráfica e a apenas 15 km ao longo da camada mineralizada da [mina] de cobre-ouro Salobo, da Vale, indiscutivelmente o segundo maior IOCG do mundo”, informou a mineradora em nota.
Ainda segundo a empresa, tanto o prospecto SW1-A quanto o SW1-B abrigam diversos alvos de sondagem com IOCG, bem como apresentam características geológicas, estruturais, geoquímicas e geofísicas similares a outros depósitos de IOCG de Carajás.

O processo de licenciamento para a sondagem junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está em fase avançada, segundo a Centaurus, com previsão de aprovação para o início de 2018.

“É bastante raro que uma empresa júnior possa acessar projetos de exploração dessa qualidade no coração de uma das melhores províncias de mineração do mundo, perto de depósitos de primeiro nível e de minas de cobre-ouro e minério de ferro de classe mundial, em operação”, disse o diretor da Centaurus, Darren Gordon, em nota.

O executivo ainda salientou a importância de a mineradora ter acesso aos dados históricos que poderão permitir à companhia acelerar as atividades de exploração. “À medida que esses dados históricos forem revisados e validados e, à medida que nossa exploração avança, o valor significativo que vemos no projeto deve rapidamente tornar-se mais evidente para os nossos acionistas”, finaliza.

Salobo West
O projeto Salobo West fica a 15 quilômetros da mina Salobo, onde a Vale explora cobre e ouro. Segundo a Centaurus, a planta tem reservas de 1,2 bilhão de toneladas com teor de 0,63% de Cu e 0,4 g/t de Au e produziram aproximadamente 176.000 toneladas de cobre e 317.000 onças de ouro em 2016.

As áreas do projeto fazem parte de um acordo realizado entre Centaurus e Terrativa Minerais em outubro de 2016. O pacote, chamado Pará Exploration Package, inclui também o projeto de ouro Serra Misteriosa.