domingo, 2 de setembro de 2018

Outro mundo


Áreas úmidas amazônicas passam boa parte do ano alagadas, diz estudo
Trabalho lista as 3.615 espécies de árvores das florestas da região
Publicado em 01/09/2018 - 18:21
Por Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil São Paulo




As florestas existentes nas planícies dos rios amazônicos passam quase metade do ano alagadas, revela estudo feito por um doutorando no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, com apoio da bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). São 3.615 espécies de árvores conhecidas, número três vezes mais do que o registrado em vegetações como igapós, pântanos, campinas, mangues e várzeas, que constituem as áreas úmidas amazônicas.
 


Flor e fruto em desenvolvimento da Gustavia augusta (cachimbo ou catoré-mucura), uma das espécies da familia   Lecythidaceae,  que  forma  as  florestas  em  áreas  úmidas  da  Amazônia
Fapesp/Direitos  Reservados

“A lista com o nome de todas as espécies é a grande contribuição desse trabalho, que tem acesso aberto. Com a lista, será possível avançar em estudos futuros, pois há um vazio de conhecimento botânico sobre as áreas úmidas, principalmente nos afluentes dos rios Solimões e Amazonas. Se houvesse mais inventários, o número de espécies poderia triplicar de novo rapidamente”, disse o primeiro autor do artigo, Bruno Garcia Luize.

Para elaborar o estudo, os autores combinaram dados disponíveis em inventários florestais e coleções biológicas sobre os nove países onde a bacia amazônica está. O aumento do número de espécies é resultado da ampliação da área de investigação e dos tipos de habitat.

“Estudos anteriores focavam apenas nas florestas alagáveis das várzeas dos rios de água branca e nas planícies de inundação. Incluímos dados de igapós, de campinas alagadas e de mangues, por exemplo. Conseguimos também acrescentar dados, além da calha do Solimões-Amazonas, de afluentes importantes a partir de raros inventários florestais nos rios Purus, Juruá, Madeira e vários outros”, ressaltou Luize.

Segundo Luize, a grande sazonalidade das florestas de áreas úmidas que têm períodos de seca e de alagamento, podem deixar as árvores com até 8 metros de alagamento, o que faz com essas áreas sejam filtros ambientais que selecionam os indivíduos e espécies capazes de tolerar inundações. Mesmo assim, o total de espécies das áreas úmidas amazônicas compreende 53% das 6.727 espécies confirmadas em estudo mais recente da flora arbórea de toda a Amazônia.

Luize explicou também que a alta proporção de árvores ocorre pelo intercâmbio das espécies, que as áreas alagadas demandam um metabolismo diferente das árvores e que algumas espécies de terra firme também conseguem tolerar as condições de inundação.

“Porém, estudos mostram que as populações nos diferentes ambientes não têm a mesma performance. Basicamente, isso quer dizer que, se for plantada uma semente da mesma espécie de terra firme em uma área inundada, e vice-versa, elas provavelmente não vão vingar. Com isso, chegamos ao extremo que são espécies exclusivas de ambientes de áreas úmidas, ou que só ocorrem nos ambientes de terra firme”, disse.
Edição: Nádia Franco


domingo, 8 de julho de 2018

Governo lutando


Revisão dos benefícios do INSS resultou em economia de R$ 9,6 bilhões

Publicado em 08/07/2018 - 13:26

Por Agência Brasil Brasília





O Ministério do Desenvolvimento Social informou que, desde o início da revisão dos auxílios-doença e das aposentadorias por invalidez, em agosto de 2016, já foram feitas 764 mil perícias, resultando em economia de R$ 9,6 bilhões.

Segundo o ministério, ao todo, o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) revisou 404 mil auxílios-doença e anulou 78% deles, além de 359 mil aposentadorias por invalidez com 108 mil cancelamentos.

Em quatro meses, o governo federal fez mais de 500 mil perícias médicas nos auxílios-doença e nas aposentadorias por invalidez pelo Programa de Revisão de Benefícios por Incapacidade.

Em nota, o ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame, disse que aperfeiçoar o processo de concessão e manutenção de benefícios é zelar pelo dinheiro do trabalhador brasileiro que contribui para a Previdência Social.

“Fazer uma adequada gestão dos recursos é garantir que o recurso da Previdência chegue às mãos de quem realmente precisa. Mantém a sustentabilidade do sistema e o bom uso do dinheiro, que, em última análise, é daqueles que contribuem para a Previdência”, afirmou, em nota, Alberto Beltrame.

Segundo o ministério, a agilidade nas revisões dos benefícios do INSS foi possível graças à grande adesão dos médicos peritos ao Programa de Gestão das Atividades Médico Periciais, em que os profissionais são avaliados pelo cumprimento das metas de produtividade e não pelo número de horas trabalhadas.

Para Beltrame, o apoio dos médicos peritos à iniciativa foi essencial para que o INSS conseguisse atender a todos os segurados convocados para o processo de revisão. “O trabalho dos peritos é extremamente relevante, tem dado resultados muito significativos e a adesão de quase 97% da categoria é uma prova disso”, disse o ministro.

Ao todo, o governo federal vai revisar 552 mil auxílios-doença e 1 milhão de aposentadorias por invalidez até o final de 2018 e espera economizar até o fim do ano R$ 15,7 bilhões.

Edição: Valéria Aguiar




quinta-feira, 28 de junho de 2018

Estado criminoso


Jungmann diz que melhor política contra a criminalidade é a prevenção

Publicado em 28/06/2018 - 21:22

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que se fala muito em repressão à criminalidade no Brasil, quando a melhor política que pode ser praticada é a da prevenção. Na visão dele, a sociedade, com razão, quer punição aos criminosos, mas, nomeando todas as facções espalhadas no país, alertou que o sistema penitenciário é “controlado pelas grandes gangues”. “Nós nos tornamos recrutadores dos soldados para o crime organizado que vai para dentro do sistema penitenciário, ou seja, nós estamos fazendo crescer um monstro para nos destruir. Vamos ser claros. Precisamos desarmar isso”, disse.

De acordo com o ministro, o “motor da violência” no Brasil está na juventude de 15 a 24 anos. “Se olhar o que acontece no sistema prisional e nas periferias é ver essa moçada que está morrendo, mas também está matando muito acima da média”, disse, destacando que são esses jovens que, ao serem presos, aumentam o número de integrantes de facções criminosas nas prisões. 

Esta violência também se reflete na sociedade. “Uma sociedade que é vulnerável, que sai daqui e pode levar uma bala perdida, como aquele garoto ou os policiais que estão morrendo para salvar nossas vidas. Isso é trágico, revoltante e indigno”, disse o ministro.

Terceira maior população carcerária

De acordo com o ministro, o sistema prisional brasileiro tem atualmente a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China. Ele destacou que os números, que não são exatos, apontam para 726 mil apenados no Brasil, número que cresce a cada ano. Jungmann disse que a população prisional está crescendo, em média, 7% ao ano. Isso resultará, ao final de 2019, em mais de 1 milhão de presos no Brasil.

“São jovens que estão indo para a cadeia, é o nosso futuro que está indo para a cadeia e esses jovens que estão lá sobretudo são pretos, pardos, de baixa educação e de baixa renda, ou seja, somos também seletivos neste sentido. Não estamos criando oportunidade para esta juventude”.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, participa da feira de defesa Ridex, no Píer Mauá, Rio de Janeiro - Fernando Frazão/Agência Brasil

Plano nacional

Para o ministro, o Brasil precisa elaborar um plano decenal de segurança pública construído por todos os que fazem parte dessa área. Jungmann disse que, pela primeira vez, o governo federal lidera ações de segurança pública e avaliou que este é o motivo de, até agora, não ter sido preparada uma política nacional para o setor. 

Essa lacuna, para Jungmann, não foi solucionada pela Constituição de 1988, que embora tenha definido atuações nas áreas de saúde e educação, inclusive com destinação de recursos, não garantiu tratamento semelhante para a segurança. 

Uma das preocupações com a criação do ministério, foi definir além das áreas de atuação, as formas de garantir os recursos necessários para um setor que dependia apenas de orçamento de governos estaduais. Segundo o ministro, com o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) esta situação mudou porque os recursos passaram a ser definidos por lei. A isso, se juntou a linha de crédito aberta pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a contratação de empréstimos aos estados destinados a projetos da área de segurança.

Integração

Segundo Jungmann, a palavra-chave para enfrentar o crime organizado no país é integração, sem o que não se resolve o problema. Na visão do ministro, parte do enfrentamento dessa questão, avançou com a criação do Susp, alimentado por dados e avaliações de órgãos de segurança federais e estaduais. Além disso, começou a funcionar a Câmara Setorial de Prevenção Social e de Segurança, que se reúne frequentemente no Palácio do Planalto, com a participação dos ministros da área social do governo. Um dos resultados desses encontros é a parceria com o ministério da Educação para a inauguração de uma Escola de Segurança Pública.

Jungamann deu as declarações durante participação no Rio International Defense Exhibition -Ridex 2018, no Pier Mauá, centro do Rio, uma feira de equipamentos de Defesa. Depois da palestra, o ministro foi atendido, em uma sala reservada, por uma médica da marinha, porque estava sentindo muita dor provocada por uma otite no ouvido esquerdo. Lá mesmo ele foi medicado e percorreu a feira.
 

Edição: Fábio Massalli

domingo, 3 de junho de 2018

Política de preços


Governo discutirá política de amortecimento de preços de combustíveis

Publicado em 03/06/2018 - 12:58

Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil  Brasília




O Ministério de Minas e Energia (MME) estuda a criação de uma política de amortecimento de preços dos combustíveis que chegue ao bolso do consumidor. Nesta segunda-feira (4), técnicos do MME e do Ministério da Fazenda, que integram o grupo de trabalho criado para discutir o assunto, têm reunião marcada. Estão incluídos na discussão os combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina.

O acordo firmado com os caminhoneiros para o fim do movimento de paralisação define a redução de R$ 0,46 no preço do diesel nas bombas. Agora, a intenção é incluir na discussão também os demais combustíveis, criando um mecanismo que proteja o consumidor final da volatilidade dos preços.

Segundo o MME, o grupo de trabalho vai convidar especialistas no assunto para ajudar a construir uma solução que permita, por um lado, a continuidade da prática de preços livres ao produtor e importador e, por outro, o amortecimento dos preços ao consumidor. A primeira reunião do grupo ocorreu na última sexta-feira (1º), com participação de técnicos da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O grupo de trabalho vai discutir o amortecimento dos preços dos combustíveis (Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil)

"[Essa política de proteção] terá que preservar a atual prática de preços de mercado para o produtor e importador, o que é tido pela atual administração como um ponto fundamental para a atração de investimentos para o setor. Vai trazer previsibilidade e segurança ao consumidor e ao investidor", diz a pasta em nota.

Política de preços

Desde 2016, a Petrobras segue uma política de variação do preço dos combustíveis que acompanha a valorização do dólar e o encarecimento do petróleo no mercado internacional. Na nota, o MME diz que a política de liberdade de preços da Petrobras, assim como das demais empresas de petróleo que atuam no país, "é uma política de governo". "A Petrobra s teve e tem total autonomia para definir sua própria política de preços", destaca o texto.

Com os reajustes, no início de maio, a Petrobras anunciou um crescimento do lucro líquido de 56,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado, atingindo R$ 6,96 bilhões. O crescimento expressivo surge depois de quatro anos seguidos de prejuízos e de um processo de reestruturação e de redução do endividamento da companhia, que teve início após as denúncias da Operação Lavo Jato.

Este foi, segundo a estatal, o melhor resultado trimestral desde o início de 2013, quando a empresa havia lucrado R$ 7,69 bilhões, e também terminou o trimestre com resultados positivos em sua métrica de segurança. 

Flutuações 

As flutuações, no entanto, impactam o consumidor. Ontem (2) a Petrobras aumentou em 2,25% o preço da gasolina em suas refinarias. Com isso, o litro do combustível ficou 4 centavos mais caro, ao passar de R$ 1,9671 para R$ 2,0113, de acordo com a estatal.

Em um mês, o combustível acumula alta de preço de 11,29%, ou seja, de 20 centavos por litro, já que, em 1º de maio, o combustível era negociado nas refinarias a R$ 1,8072. O preço do diesel, que recuou 30 centavos desde o dia 23 de maio, no ápice da greve dos caminhoneiros, será mantido em R$ 2,0316 por 60 dias.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) diz, em nota técnica, que a política de preços resultou, entre o final de abril e maio, em 16 reajustes do preço da gasolina e do diesel nas refinarias. Para o consumidor final, os preços médios nas bombas de combustíveis subiram, considerando os impostos federais e estaduais, de R$ 3,40 para R$ 5, no caso do litro de gasolina (crescimento de 47%), e de R$ 2,89 para R$ 4,00, para o litro do óleo diesel (alta de 38,4%).

Edição: Juliana Andrade


terça-feira, 22 de maio de 2018

Estudar é inovar


300 cursos online e gratuitos em universidades da Ivy League
Por Priscila Bellini
17.05.2018




As universidades que integram a Ivy League são presença garantida em rankings internacionais. E, não à toa, são também rigorosas em seu processo de seleção – escolhendo uma margem pequena dos alunos que enviam applications todos os anos. Mas, para quem sonha em estudar nessas instituições, há outras opções possíveis: em especial, os cursos online e gratuitos em universidades da Ivy League.

Vale lembrar, antes de tudo, que todos os membros dessa associação dispõem de formação à distância, a preços módicos ou mesmo de forma gratuita. Nomes como Harvard e Yale já disponibilizaram aulas consagradas pelo Youtube e integram plataformas como edX e Coursera.

Conheça cursos online e gratuitos em universidades da Ivy League 

Moralities of Everyday Life, em Yale
Como o próprio nome sugere, a formação dá conta de questões morais que fazem parte do dia a dia, como “de onde vem o nosso senso de certo e errado?”. Ministrado por Paul Bloom, professor de psicologia e ciências cognitivas de Yale, está disponível na plataforma Coursera e é gratuito para aqueles que solicitam financial aid.

Curso especial sobre a China, em Harvard
Esse curso online divide-se em dez partes e a parte 1, disponível na plataforma edX (assim como o restante das aulas), é ministrada por Peter K. Bol e por Wiliam C. Kirby, professores de Harvard. De início, os materiais cobrem noções de História e política no país asiático, analisando pensadores chineses como Confúcio.

Inglês para Jornalismo, Negócios e STEM, na Universidade da Pensilvânia
Os apaixonados por jornalismo que precisam aperfeiçoar o inglês podem contar com esse curso online da UPenn, disponível no site Coursera. A proposta é guiar o estudante pelas tarefas básicas da profissão (como fazer entrevistas e sugerir pautas), para depois ensinar vocabulário necessário para textos de revistas e jornais em inglês.
A mesma iniciativa da UPenn disponibiliza formações específicas para outras áreas, como Inglês para Ciências, Tecnologia e Matemática e Inglês para Negócios e Empreendedorismo.

CS50, em Harvard
O curso de Ciência da Computação queridinho de Harvard, criado por David J. Malan, ensina aos alunos como “pensar algoritmicamente e resolver problemas eficientemente”. A formação inteira é gratuita, disponível pela plataforma edX, mas é necessário pagar uma taxa de 90 dólares para obter o certificado.


Inteligência artificial, na Universidade Columbia
Ministrado pela professora Ansaf Salleb-Aouissi, da Universidade Columbia, o curso apresenta conceitos básicos de inteligência artificial e demonstra como são aplicados em tecnologias atuais. Ao fim da formação, os alunos desenvolvem um projeto prático. É possível se inscrever pela plataforma edX.

Introdução às Finanças Corporativas, na UPenn
Esse curso, idealizado por Michael R Roberts, professor da Wharton School, apresenta desde conceitos aplicados a finanças pessoais até finanças corporativas. As aulas duram um mês e é possível assistir a elas gratuitamente, pela plataforma Coursera, caso o estudante precise de apoio financeiro.

Leading the life you want, na Wharton School
Criado pelo professor Stew Friedman, que trabalha com desenvolvimento de liderança na Wharton School, o curso dura um mês e permite que os alunos “explorem suas habilidades de liderança” e as desenvolvam por meio de exercícios práticos. É possível se inscrever pela plataforma Coursera e obter auxílio financeiro para fazer o curso de graça.


Fazendo o governo funcionar, na Universidade Princeton
O “Making government work in hard places“, um dos cursos online e gratuitos em universidades da Ivy League, foca em desafios para melhorar o acesso a oportunidades. A professora Jennifer Widner, de Princeton, usa exemplos de países diversos para ensinar o “how to” para solução de problemas e está disponível na edX.

CitiesX: passado, presente e futuro da vida urbana, em Harvard
O curso de Harvard parte de dados interessantes sobre cidades: mais de 50% da população mundial vive em áreas urbanas, hoje em dia. A partir daí, o professor de economia Edward Glaeser leva os estudantes a analisar a constituição e os desafios presentes e futuros de cidades como Londres, Nova York e mesmo Rio de Janeiro. Para ter acesso ao curso, basta se inscrever pela plataforma edX.

Acesse a lista completa de 300 cursos online e gratuitos em universidades da Ivy League no site Quartz, neste link.